Curso:
janeiro 27, 2021
Artigos Artigos e Entrevistas

ARTIGO: A aposta para um mundo livre de carbono, por Julia Fonteles

O uso do hidrogênio como combustível é extremamente versátil e ocorre há mais de 70 anos nos setores industriais e químicos. Caracterizado pelo processo de separação entre as moléculas que compõem a água, H e O2, o hidrogênio é um elemento poderoso e pode atuar como fonte de armazenamento de energia. Sua demanda global atual é de 70 milhões de toneladas por ano. O alto nível da carga elétrica necessária na utilização do processo de separação entre as moléculas encarece a possibilidade da geração de hidrogênio utilizando energia limpa. Essa dependência de combustíveis fósseis é uma barreira que começa a ser transposta e que aumenta as expectativas do uso do hidrogênio para resolver o problema de intermitência das renováveis.

O termo hidrogênio verde ou hidrogênio renovável se refere ao processo de criação do elemento utilizando somente fontes renováveis. Segundo o relatório Hydrogen Economy Outlook, o custo da geração do hidrogênio renovável precisa cair mais de 50% para poder competir com a indústria fóssil. Nos últimos 5 anos, o custo já caiu expressivamente e estimativas sugerem que a maioria dos países tem os recursos para produzir hidrogênio a US$ 1,6 por quilograma até 2050. Estima-se que a utilização de hidrogênio verde na próxima década pode diminuir a emissão de CO2 em 34%.

Para países que dependem fortemente do gás natural em seus sistemas de calefação, o desenvolvimento de hidrogênio verde é particularmente atraente. Essa substituição garante acesso a energia limpa durante os invernos e aproveita a vasta estrutura dos gasodutos em países europeus e nos EUA. De acordo com Kobad Bhavnagri, diretor da Bloomberg NEF, essa substituição requer um alto investimento em containers. Estudos estimam que o armazenamento do hidrogênio exige uma estrutura 4 vezes maior do que a que existe hoje, com um custo de aproximadamente US$ 637 bilhões.

A versatilidade do hidrogênio também permite a evolução tecnológica no setor automobilístico. O maior problema da transição da frota automobilística elétrica é a eletrificação de transportes de carga. Embora a tecnologia ainda esteja em desenvolvimento, a utilização de hidrogênio como combustível pode acelerar o processo de descarbonização de aviões, navios e caminhões de carga, diminuindo a dependência do setor petroleiro. Estudos mostram que o custo atual de armazenamento e transporte do produto ainda não é acessível, mas que investimentos contínuos podem oferecer economias de escala e acelerar a transição do setor.

Especialistas estão otimistas com o potencial do hidrogênio. Bhavnagri acredita que o investimento expressivo na indústria é a solução para acabar com a emissão de gás carbono nos setores mais difíceis, incluindo automobilístico e industrial. Considerado um combustível de transição, o gás natural pode ser substituído por hidrogênio renovável, adicionando a vantagem da reutilização da estrutura dos gasodutos. Para impedir os efeitos catastróficos da mudança climática, a criação de uma economia livre de emissão de gases do efeito estufa é essencial. Não há paliativos.

Comunicação FIV

Equipe de Comunicação da Fundação Ivete Vargas

Publicações Relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fundação Ivete Vargas