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outubro 28, 2021
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ARTIGO: “A volta aos trilhos do Brasil”, por Leonardo Mota

* Por Leonardo Mota

Quem viaja hoje pela Europa ou por países como o Japão pode experimentar a aventura de viajar de trem, um veículo rápido, seguro, confortável. Chega-se a uma cidade, entra-se numa estação central e compra-se uma passagem para qualquer cidade ou melhor, para qualquer país. Ganha-se em rapidez e conforto. Muitos brasileiros têm vivido esta experiência e lastimam não poder fazer o mesmo no Brasil.

Os mais velhos ainda se lembram dos trens da Sorocabana, cruzando o interior de São Paulo, ou da Leopoldina, percorrendo cidades do Rio de Janeiro. Antes mesmo dos voos da Panair, atravessando os céus do país, os trens percorriam os campos e cruzavam o norte e o sul do Brasil. Nossas cidades cresceram em torno da estação de trem.

A primeira ferrovia do Brasil 

O século XIX foi marcado por grandes transformações políticas, econômicas e sociais no Brasil, representando a transição do período colonial para a República, quando ocorre o início do processo de industrialização do país. Neste contexto destaca-se a figura de Irineu Evangelista de Sousa, o Barão (depois Visconde) de Mauá, considerado pioneiro da industrialização no Brasil sendo responsável pela construção de grandes empreendimentos.

Nascido em 1813, em Arroio Grande (RS), ainda menino mudou-se para o Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar num armazém como caixeiro. Aos catorze anos, já era o contador da empresa. Em 1840, viajou para a Europa, que vivia a fase da pós-Revolução Industrial, que veio a influenciá-lo fortemente. Em sua estadia britânica, visitou fábricas, estaleiros, fundições, estradas de ferro e bancos.

Na volta ao Brasil, construiu um estaleiro, iniciando a indústria naval no país. Nos anos seguintes, promoveu o encanamento das águas do rio Maracanã, fundou a Companhia de Iluminação a Gás do Rio de Janeiro; e a Companhia de Navegação a Vapor do Amazonas.

Em 30 de abril de 1854, Mauá lançou a primeira ferrovia do país: a Companhia de Estrada de Ferro, ligando o Porto Mauá na Baía da Guanabara até Fragoso, na Raiz da Serra. Também inaugurou a Estrada de Ferro Dom Pedro II em 1858, atual Central do Brasil, realizou a construção da estrada de ferro que liga Santos a Jundiaí e a instalação de cabos telegráficos submarinos ligando o Brasil à Europa em 1874.

O transporte ferroviário teve papel fundamental no desenvolvimento econômico do país. Em 1954, por ocasião do seu centenário, a Estrada de Ferro Mauá foi declarada Monumento Histórico Nacional, e foi tombada pela Secretaria de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Durante o governo de Juscelino Kubitschek, foram feitos os primeiros investimentos no transporte rodoviário. A modernidade esquecia os trens e o automóvel, o ônibus e o caminhão ocuparam as rodovias. Vivia-se o desenvolvimentismo, que trouxe também os investimentos na produção de petróleo.

A opção pelas rodovias trouxe problemas como o excesso de automóveis nas cidades, a necessidade cada vez maior de produção de petróleo e óleo diesel, os congestionamentos e o custo rodoviário.

Os trilhos de volta

Sonhar com a volta dos trens parece um projeto irrealizável, mas eis que um ministro se mostrou disposto a produzir uma revolução no transporte ferroviário. O ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas, com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, resolveu mostrar que vale a pena sonhar. 

E surgiu um projeto de três novas ferrovias que já nascem com selo verde. É a fusão da sustentabilidade com a infraestrutura de transportes. Para o governo federal, essa é uma premissa importante. O Ministério da Infraestrutura recebeu, da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), o processo que habilita as novas ferrovias a buscarem a obtenção de “selo verde”. O empreendimento segue parâmetros exigidos pela Climate Bonds Initiative, organização internacional que faz a certificação das iniciativas sustentáveis.

Com a certificação ambiental, a ser buscada pelos futuros concessionários da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) e da Ferrogrão (EF-170) junto ao CBI, os projetos poderão buscar financiamento no mercado de green bonds (títulos verdes), fundos direcionados a projetos sustentáveis.

Títulos verdes são modalidades de investimento que levantam recursos para soluções que apresentam benefícios ambientais. Com funcionamento similar a outros instrumentos de investimento, os green bonds agregam outros benefícios aos emissores e investidores, por garantir que os recursos sejam utilizados em projetos e ativos que estejam alinhados ao Acordo de Paris. Garante também melhor gerenciamento dos riscos de projetos, contemplando, por exemplo, a redução da emissão de gases de efeito estufa e a adaptação das estruturas às mudanças do clima.

* Leonardo Mota é jornalista e consultor de comunicação

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