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dezembro 7, 2021
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ARTIGO: “Nobel para a verdade”, por Leonardo Mota

* Por Leonardo Mota

Em meio a enxurrada de fake news que assola o país e o mundo, uma notícia representou um sopro de vida na prática jornalística desses tempos de pandemia, quando os jornais da chamada imprensa tradicional deixam o pudor de lado e agridem cidadãos com fantasias, críticas, xingamentos. Nem as pesquisas pré-eleitorais escapam. Jogam abertamente em favor de alguns candidatos a ponto de lhes garantir ganhos de votos que beiram percentuais altíssimos e bem improváveis.

A boa notícia é que, em 2021, o prêmio Nobel da Paz, um dos mais importantes do mundo, foi concedido a dois jornalistas que mereceram a vitória simplesmente por cumprir sua missão fundamental de falar a verdade sobre os fatos e clamar pela liberdade de expressão.

OS PREMIADOS

Os jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov ganharam o Nobel da Paz por sua "luta corajosa" em defesa da liberdade de expressão nas Filipinas e na Rússia, respectivamente, segundo a comissão que decide os prêmios. A comissão do Nobel considerou a dupla como "representantes de todos os jornalistas que defendem o ideal da liberdade de expressão em nome da verdade dos fatos”.

Os vencedores do prestigioso prêmio, no valor de 10 milhões de coroas suecas (mais de R$ 6 milhões), foram anunciados no Instituto Nobel norueguês, em Oslo. Eles foram escolhidos entre 329 candidatos. Maria Ressa e Dmitry Muratov. Ela, filipina e comandante de um site de jornalismo investigativo. Ele, russo e editor-chefe de um jornal de oposição. Os dois foram anunciados como ganhadores do mais prestigiado prêmio mundial: o Nobel da Paz.

São dois jornalistas que concorreram contra empresas de comunicação e venceram porque cumpriram um dever básico na vida de um jornalista: defender os fatos. Parece uma simples realidade, mas no meio de tantas fakes news, e de verdades mal-arranjadas, escritas para agradar chefias ou políticos influentes, pode-se dizer que falar a verdade merece prêmio. E contribui para a paz!

A repercussão no Brasil não foi das melhores por parte da imprensa tradicional. Que imprensa é esta? Uma empresa estrangeira, que acaba de demitir um jornalista brasileiro experiente, por ele ser independente e dizer o que pensa sobre tratamentos para a Covid?

Uma demissão que se deu num quadro de debates, de onde a verdade foi expurgada. Não houve palmas também de outras empresas que se colocam como adversárias do governo e obrigam seus jornalistas a criticarem todos os dias os mais simples atos governamentais.

A verdade no Brasil é atacada por ministros do Judiciário e por políticos que perseguem os jornalistas que trabalham em sites independentes, cortando suas verbas de sobrevivência. E a liberdade de expressão atinge até políticos, presos e com tornozeleiras pelo crime de dizer a verdade. A verdade está ameaçada também num país em que jornalistas precisam viver no exterior para poder escrever sem que a polícia lhes bata na porta.

A verdade no Brasil está ainda ameaçada pelos que preferem a política do ódio, numa guerra implacável contra um presidente eleito democraticamente.

* Leonardo Mota é jornalista e consultor de comunicação

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