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dezembro 7, 2021
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ARTIGO: “Turbulências autoritárias”, por Leonardo Mota

* Por Leonardo Mota

A sétima Constituição da República, promulgada em 5 de outubro de 1988, garante direitos sociais e humanos a todos os cidadãos brasileiros, e estabelece, no Brasil, o estado de bem estar social. Somos assim, um país democrático onde a saúde e a educação são direitos de todos e os três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, são independentes, mas harmônicos entre si.

Um documento perfeito, claro e detalhista na exposição de direitos e deveres e na distribuição das funções de Estado. Então, por que o país e seus habitantes vivem sob a tensão de turbulências autoritárias, em que prisões são decretadas por autoridades do Judiciário, sem o devido processo legal? Por que o exercício da política interfere na condução do país, numa visível guerra de grupos a favor e contra o governo do presidente Jair Bolsonaro?

Terá sido a pandemia causada pelo Coronavírus a raiz dos desvios de conduta? Mais do que desvios, vive-se uma guerra de narrativas em que não se passa um dia sem uma crise federal ou institucional. Os problemas são graves. Faltam alimentos, os preços assustam a todos e a pandemia não está ainda eliminada, apesar do sucesso da vacinação em massa das populações. Mas as narrativas nas redes sociais e na mídia tradicional não nos deixam
viver em paz.

Parece que alguns segmentos da população sonham com uma guinada autoritária que faça o que a pandemia não fez: nos trancar em casa de vez.

AUTORITARISMO

Em toda a nossa breve vida republicana, tivemos momentos em que enfrentamos crises de poder, derrubada de governos, estado de sítio, períodos de ditadura civil e militar. Aprendemos a nos comportar como cidadãos sem deixarmos de protestar contra as atitudes autoritárias. Vivíamos sob censura, com medo de prisões arbitrárias, impedidos de falar. A volta à normalidade se deu com uma anistia que não cicatrizou as feridas.

Fomos às ruas, ganhamos o direito de votar outra vez e melhor do que tudo, temos uma Constituição que nos ajuda a viver em paz. Mas as últimas eleições não satisfizeram parte da população. A vontade de buscar o consolo do impeachment faz com que muitos tentem acelerar as mudanças. A imprensa tradicional, que havia se acostumado em governos anteriores com verbas federais, não passa um dia sem narrativas nem sempre verdadeiras, criando crises inexistentes. Já a mídia social se divide entre as fake news e o apoio ao presidente eleito.

No meio disto tudo, surgiu um ministro com ânsias de praticar política e criou um inquérito do fim do mundo, desandando a prender a torto e a direito. Não escaparam da fúria do ministro um deputado federal, um presidente de partido político, um caminhoneiro, vários jornalistas independentes. São prisões extrajudiciais, sem culpa formada, sem direito de defesa. Alguns consideram tais prisões um pretexto para provocar o presidente do país a tomar alguma atitude autoritária, como estado de sítio, por exemplo. Os que ainda mantém a serenidade esperam que esta fase turbulenta se esvazie por si mesma. Que nossa Constituição tão perfeita nos ajude a encontrar a saída para libertar os que estão presos injustamente e coloque nosso país e seus cidadãos nos eixos. Temos direito à democracia e queremos viver num país democrático. O contrário é autoritarismo, o mesmo que tirania.

* Leonardo Mota é jornalista e consultor de comunicação

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