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dezembro 7, 2021
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Cientistas descobrem medicamento capaz de reverter a paralisia

Cientistas norte-americanos desenvolveram um novo tipo de medicamento que promove a regeneração de células e ajudaram a reverter a paralisia em camundongos com lesões na coluna vertebral. Os testes permitiram que os animais caminhassem novamente após quatro semanas de tratamento.

O estudo foi divulgado pela revista Science no último dia 11 de novembro. Os cientistas da Northwestern University, responsáveis pela pesquisa, afirmaram que esperam apresentar sua aplicação já no próximo ano à agência reguladora de medicamentos dos EUA, a Food and Drug Administration (FDA), para poder iniciar os testes em humanos.

“O objetivo de nossa pesquisa era desenvolver uma terapia traduzível que pudesse ser levada à clínica para evitar que os indivíduos ficassem paralisados após um grande trauma ou doença”, revelou Samuel Stupp, da Northwestern, que liderou o estudo.

Curar a paralisia é um objetivo de longa data da medicina, e outras pesquisas de ponta no campo incluem tratamentos experimentais usando células-tronco para fazer novos neurônios (células nervosas), terapia genética que instrui o corpo a produzir certas proteínas para auxiliar no reparo do nervo ou injeção proteínas.

A equipe de Stupp, por outro lado, usou nanofibras para imitar a arquitetura da matriz extracelular – uma rede natural de moléculas que cercam o tecido que é responsável pelo suporte das células. Cada fibra é cerca de 10.000 vezes mais estreita que um fio de cabelo humano e são formadas por centenas de milhares de moléculas bioativas chamadas de peptídeos que transmitem sinais para promover a regeneração nervosa.

A terapia foi injetada como um gel no tecido ao redor da medula espinhal de ratos de laboratório 24 horas após uma incisão ter sido feita em suas espinhas. Segundo a equipe de cientistas, o tratamento é seguro porque os materiais se degradam em questão de semanas e se transformam em nutrientes para as células.

Stupp disse que espera que os estudos possam passar rapidamente para os humanos, sem a necessidade de realizar mais testes em animais, como os macacos, pelo fato de o sistema nervoso ser muito parecido entre as espécies de mamíferos, e "não existe nada para ajudar os pacientes com lesões na medula espinhal, o que é um grande problema".

De acordo com estatísticas oficiais, cerca de 300 mil pessoas vivem com lesões na medula espinhal apenas nos Estados Unidos. Sua esperança de vida é menor que a de pessoas sem esse tipo de lesão e não melhorou desde os anos 1980.

"O desafio será como a FDA revisará essas terapias, porque são completamente novas", comentou Stupp.

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