Entrevista com Marli Iglesias

Marli Iglesias Marli Iglesias
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Fundadora do PTB Mulher Nacional - o primeiro e, atualmente, o maior movimento de mulheres da política brasileira - a gaúcha Marli Iglesias nos conta nesta entrevista sobre as origens e a fundação do movimento feminino petebista que, desde o início dos anos 1990, vem colhendo frutos e progressos no cenário político brasileiro. Iglesias relata um pouco da sua trajetória pessoal e da do movimento da legenda trabalhista, que desde a sua fundação trabalha arduamente para obter êxitos na luta para conquistar espaços para as mulheres na política. “É muito emocionante ver algo que a gente pensou lá atrás, quando lutávamos para abrir um espaço para a mulher no mundo da política partidária, tomar essa dimensão, ser copiado e abraçado pelos demais partidos e estimular a participação feminina em nível local, estadual e nacional”. Marli Iglesias conta também que a ideia para fundar o PTB Mulher vinha sendo construída desde 1990. Segundo a líder gaúcha, o PTB Mulher começou em 1993, no Rio Grande do Sul, e, quatro anos depois, foi consolidado a nível nacional, em 1997. “O mais emocionante e significativo é olhar hoje, com os olhos de hoje, e ver mulheres das mais variadas origens levando adiante o movimento feminino petebista. Que bom vê-las continuando a escrever essa bela história do PTB Mulher”. Marli Iglesias atualmente é vice-presidente nacional do PTB Mulher e diretora financeira da Fundação Ivete Vargas.

Revista Todas: Como começou sua trajetória política? Quando?

Meu começo na política foi inusitado. Formei-me na década de 50 e dediquei 31 anos de minha vida à área da Educação, como professora, supervisora escolar e diretora, aposentando-me em 1988. Paralelamente, eu e meu marido fazíamos trabalhos comunitários, no círculo de Pais e Mestres, na Associação de Bairro, onde eu, meu marido e os quatro filhos, juntos, atuávamos nos Cursos de Jovens e de Casais da Igreja Católica. Criamos o Festival do Chopp (este evento acontecia na frente da Cervejaria Brahma e o chopp era direto), o Criança na Avenida, o Gaúcho na Avenida. Prefeitos, deputados, políticos em geral acompanhavam esses eventos. Quando me aposentei, fui chamada por Germano Bonow, Guilherme Socias Vilela, Nelson Marquezan, Alceu Collares, cada um de diferentes siglas, me convidando à filiação e para lançar minha candidatura à vereadora em Porto Alegre. Jamais imaginei fazer parte deste meio, mas aceitei com restrições, pois essas pessoas me ajudaram muito nas melhorias que fizemos na escola pública onde era diretora. Com a ajuda deles, deixamos o colégio tal qual uma escola particular. Achei que devia isto a eles e deixei claro que não teria condições financeiras, mas fui à luta no peito e na raça. Fiz uma estupenda votação – mais de 3 mil votos, na época, e pilhas imensas de votos anulados em meu nome. Foi na época que o PT estava começando, não tinha urna eletrônica, e, na boca de urna, pediam o voto e quem respondia que já tinha candidato, orientavam: vota no seu candidato, mas no item partido, coloca PT. Encerradas as eleições, fui com minhas amigas que faziam parte da minha equipe acompanhar o escrutínio, e foi triste constatar a quantidade de votos meus anulados em todas as mesas! Com isto agradeci a oportunidade e comuniquei que havia feito a minha parte e me retirei deste meio, pois achei que este inicio já me dizia que não era por ali o meu lugar! Sempre muito ativa, fui convidada a assumir a Supervisão Escolar de uma Escola particular e de imediato aceitei em função do amor à minha profissão, aos alunos e à busca de melhor salário, pois a aposentadoria do magistério era irrisória. Mas junto com a função de professora, já havia, portanto, iniciado, sem saber, uma carreira também na área política.

Revista Todas: Como e quando começou sua relação com o PTB? Por que o PTB?

Depois dessas eleições e logo que voltei a trabalhar no magistério, fui chamada pelo deputado Sérgio Zambiasi, que me convidou a ajudá-lo na sua missão. Eu não o conhecia, mas fiquei encantada com o trabalho social dedicado exclusivamente aos menos favorecidos. Ele me pediu para trocar a escola em que eu estava lecionando pelo trabalho no gabinete. Perguntei seu partido e, quando falou PTB, não pensei duas vezes, pois eu era alucinada por Getúlio Vargas. Acompanhei sua História e sua morte me abalou muito. Dediquei dez anos da minha vida ao PTB do Rio Grande do Sul, no gabinete do Zambiasi. Assim entrei definitivamente na vida política. E somente ali, num gabinete de deputado, entendi o meu papel na juventude, pois até então via tudo com muita naturalidade, sem nunca fazer "ligação" com política. Fui Presidente do Grêmio de Alunas na Escolha Normal, Presidente do Conselho de Alunas, Presidente do Centro de Tradições Gaúchas da Escola, Secretária Geral da União Gaúcha de Estudantes Secundários e da União Metropolitana de Estudantes Secundários de Porto Alegre, única figura feminina neste contexto, na época. Nestas funções de Liderança Estudantil, tive a oportunidade de vivenciar dentro do Palácio Piratini, junto ao governador, momentos ímpares da História deste País, como a campanha da Legalidade.

Revista Todas: A senhora foi uma das fundadoras do PTB Mulher? Pode nos dizer de onde surgiu a ideia e como foram os primeiros passos?

Trabalhando com o Zambiasi, passei a fazer a função que me foi determinada, de buscar solução aos necessitados que me eram encaminhados, sempre com sucesso, mas encantada pelo grupo voltado à construção partidária, e foi aí que me achei no contexto, passei a acompanhá-los, aprendi a construir e me joguei de cabeça, inclusive nos finais de semana, nesta tarefa. O que sempre me chamou muito atenção eram as lideranças políticas, as mais diversas, serem só masculinas, e as mulheres sempre sem voz ativa e ainda mais num estado machista. Isto me incomodava muito, pois nas Escolas as chefias e liderança eram tanto de um sexo como de outro. Ao me iniciar no meio político, me dei conta que não éramos convidadas para fazer parte de Executivas, e muito menos fazer parte de candidaturas. Levantei bem alto "a bandeira" da mulher, me enchi de coragem e perguntei se éramos chamadas apenas para dar quorum e para eleger homens, ou se tínhamos o direito de participar mais diretamente do processo.

Nas minhas defesas, comecei a incomodar, e resolvi ir à luta. Passamos a nos reunir mais secretamente, em lugares nossos, nossas residências, jantares, que chamávamos de porões, nos identificando com o período da ditadura, pois assim nos sentíamos. Reuníamos apenas nós mulheres e debatíamos a minha rebeldia, pois eu queria que fizéssemos e nos tornássemos um grupo participativo com voz e vez e não " vaquinhas de presépio". Precisávamos dar opiniões, enfim, participar diretamente do processo e ali combinávamos no calar da noite, participarmos de tudo e passarmos a opinar, pedir a palavra e levar sempre algo diferenciado que se somasse ao grande grupo. O processo foi lento, mas começamos a ser percebidas e a chamar atenção por nossas contribuições que passavam a ser valiosas.

Havia na época, em 1990, um segmento partidário com o nome MPF - Movimento Petebista Feminino, mas sem função alguma e dele tomamos conta, tornando-o um real Movimento. Fizemos Diretórios e Comissões Provisórias nos 427 Municípios do Rio Grande do Sul e, em seis meses, tínhamos um Exército de Mulheres a serviço do PTB. Assim, chamamos atenção pela rapidez da organização, pela parceria e cumplicidade do Grupo e passamos ser chamadas para todos os encontros partidários onde não mais só fechávamos o quorum mas lotávamos os espaços por maiores que fossem em Seminários, Congressos, Convenções.

O salto definitivo para o início do PTB Mulher se deu em janeiro de 1992, num encontro da Executiva Regional gaúcha, quando o então presidente do diretório, Sérgio Zambiasi, oficializou o Movimento Petebista Feminino como órgão de apoio e cooperação partidária. Naquele encontro, nos lançou um desafio: eleger a primeira senadora da história do Rio Grande do Sul. A Comissão foi formada por mim e pelas colegas petebistas Sibel Ramos, Terezinha Irigaray, Iára Lopes e Emília Fernandes, na época vereadora da cidade de Santana do Livramento e que depois se tornou senadora. Ele sabia que as mulheres sempre fazem o possível e o impossível para vencer os desafios, e nós vencemos, com a eleição de Emília e a posterior organização do movimento, que me levou a ser eleita, no biênio 93/95, como a primeira presidente do Movimento Petebista Feminino do Estado do Rio Grande do Sul, biênio 95/97 e biênio 97/99, deixando de Presidir no Rio Grande para me dedicar à construção do mesmo em nível nacional. Fui à luta mais uma vez, para criar o PTB Mulher nacionalmente. Encerrei o ano de 1998 com o movimento em 24 Estados do País. Em Maio de 1999, o então presidente nacional do PTB, José Carlos Martinez, autorizou a realização de uma convenção do PTB Mulher, onde foram eleitos os novos diretórios e comissões, e eu fui eleita Presidente Nacional. Desde então, o movimento ganhou força e se organizou em quase todos os estados do Brasil. Nós, do PTB, somos pioneiros na criação de um movimento feminino em nível nacional e estadual e tenho muito orgulho de afirmar isto.

Também é preciso fazer o registro de que um dos maiores incentivadores do crescimento e da atuação do PTB Mulher foi o presidente Roberto Jefferson. Quando ele reassumiu a presidência do partido, em 2006, o movimento feminino se encontrava paralisado, e Roberto Jefferson me convocou para a missão de reativar o PTB Mulher, junto com sua filha, Cristiane Brasil, que foi chamada para presidir a Comissão Provisória do movimento. Assim, passamos a dar novo estímulo à criação de diretórios em todo o Brasil, e, para ajudar nesta missão e na nova fase do PTB Mulher, chamamos as companheiras Iara Lopes, Vera Gorgulho, Rita Leite, Sandra Silveira, entre outras. Com a garra de todas, conseguimos colocar o movimento feminino de volta na estrada, para agregar as mulheres à construção partidária. Roberto Jefferson, portanto, foi um presidente que teve a sensibilidade e a perspicácia de reagrupar as mulheres guerreiras do partido, para que pudéssemos reiniciar um trabalho que, hoje, mostra seus frutos, com o PTB Mulher se afirmando como um dos principais movimentos femininos dentre todos os existentes nos demais partidos políticos. Por isso, gostaria de deixar aqui meu agradecimento a Roberto Jefferson por não ter sido apenas o incentivador da maior participação das mulheres no partido, mas por ter reacendido esta chama do movimento feminino, que hoje brilha forte dentro do Partido Trabalhista Brasileiro.

Revista Todas: A senhora é fonte de inspiração para muitas mulheres que querem ingressar na política. Como se sente em relação a isso?

Ser mulher e atuar na política no Brasil, desde sempre, não é algo fácil. Muito pelo contrário, é preciso ser ousada, corajosa, "rebelde" com responsabilidade, fiel a si, às suas companheiras e ao partido, guerreira sem perder a ternura para embarcar nesse desafio e conseguir se fazer ouvir em um ambiente predominantemente masculino. Muitas mulheres como eu, que ingressaram na atividade político-partidária em uma época que poucas se atreviam a assumir esta luta, sofreram com o desprezo e a indiferença de muitos dos colegas homens. Não foi fácil, mas acredito que consegui superar as discriminações e hoje sou respeitada por meus pares, sejam homens ou mulheres. Eu me sinto feliz, satisfeita e plenamente realizada em poder passar minha experiência para as mulheres que querem participar da vida política no nosso País.

Revista Todas: A participação feminina cresceu na política nos últimos anos, mas ainda está aquém do que seria desejável. O que fazer para reverter isso?

Graças a Getúlio Vargas, o melhor presidente da história brasileira, as mulheres tiveram o direito ao voto em 1932, consequência também do trabalho de mobilização liderado por pessoas como Bertha Lutz, uma das principais representantes das organizações feministas da época, e que em 1936 se tornou deputada federal. Bertha Lutz tinha como tema de luta a defesa intransigente dos interesses das mulheres, especialmente pela igualdade de salários, de oportunidades e pelo empoderamento da mulher. Nesses 80 anos, desde que Bertha Lutz iniciou esta luta, muitas outras mulheres assumiram esta batalha tanto no Congresso Nacional como em assembleias legislativas, no sentido de construir uma sociedade onde homens e mulheres fossem iguais nos espaços públicos e também privados. Tanto tempo depois do início desta luta, entretanto, nós, mulheres, que representamos 52% das eleitoras, temos apenas 10% das cadeiras no Congresso Nacional. A nossa representatividade ainda é muito baixa. Temos que "brigar " por uma reforma política que mude as estruturas políticas do País especificamente para melhorar o acesso e a participação da mulher na vida nacional.

Revista Todas: Quando a senhora começou a atuar politicamente, como eram vistas as mulheres dentro dos partidos? Tem alguns "causos" ou situações engraçadas para relatar?

Como disse anteriormente, as mulheres eram chamadas a participar politicamente apenas para dar quorum nos encontros partidários, ajudar na mobilização nas ruas, mas poucas eram chamadas a fazer parte das chapas de direção, a participar do comando das siglas. Esta passou a ser a minha luta inicialmente: ter mulheres nas diretorias dos partidos e trabalhar pelas candidaturas femininas. Quanto a um fato marcante do passado, lembro que nossa companheira Terezinha Irigaray, ex-deputada, cassada na ditadura, nesta época em que iniciamos a busca pelos nossos espaços, foi convidada a fazer parte da Executiva Estadual do PTB. Vibramos todas com o anúncio, mas após cada reunião de que ela participava, perguntávamos da sua atuação, pois ela carregava uma bagagem cultural e política invejável. A resposta era sempre a mesma: “Entrei quieta e saí calada". Essa expressão foi a que nós mulheres passamos a usar em todos os momentos, até para cumprimentá-la.

Revista Todas: Como é sua relação com o PTB gaúcho e nacional hoje em dia? Como a senhora vê a condução do partido atualmente?

Sempre tive e sempre terei ótimo relacionamento tanto com o PTB gaúcho como com os membros do Diretório Nacional do PTB, embora há 10 anos esteja me dedicando mais ao trabalho da Fundação Ivete Vargas em Brasília e ao PTB Mulher. Acredito muito no trabalho da nossa Presidente, Cristiane Brasil, que apesar de jovem, é uma pessoa determinada, inteligente, astuta, dinâmica, moderna, e que tenta levar o partido a um novo patamar de importância no cenário político nacional. Acredito que o PTB está em boas mãos com Cristiane Brasil e seu pai, Roberto Jefferson, como Presidente de Honra.

Revista Todas: O trabalhismo é uma filosofia política bastante antiga, mas que parece em voga no atual cenário político. Por que ser trabalhista hoje em dia e o que faz do trabalhismo algo atual hoje em dia?

Já há bastante tempo assistimos uma discussão profunda na sociedade, tanto nos meios políticos como no industrial e empresarial, sobre a questão do trabalhismo, se cabe flexibilizar os direitos dos trabalhadores, ou se eles devem ser mantidos a todo custo. Há quem defenda que o excesso de regulamentação no mercado de trabalho inibe a geração de empregos. De outro lado, a defesa da manutenção da legislação de proteção ao trabalhador mostra que a regulação do mercado de trabalho não tem implicações sobre o nível de emprego, que depende da atividade econômica do País para se manter. Nós, do PTB, estamos do lado daqueles que defendem intransigentemente os direitos do trabalhador. Aliás, um dos lemas do nosso partido é justamente “não vamos deixar mexer nos direitos do trabalhador”. Não acredito que o excesso de legislação é impedimento para contratação de empregados. Não há dúvidas que o avanço da sociedade, com a consequente criação de novas profissões adequadas à modernidade, gera a necessidade de se discutir adaptações e melhorias na legislação trabalhista. O PTB não se opõe a discutir, a debater, e acreditamos que o melhor foro para a discussão de uma reforma trabalhista no País é o Congresso Nacional. O que nós não transigimos é no respeito aos direitos do trabalhador. Jamais deixaremos mexer nesses direitos se for para prejudicar os brasileiros e brasileiras que constroem este País com o suor do seu trabalho.

Revista Todas: A política sofre atualmente uma crise de credibilidade. O que cabe às mulheres fazer para retomar a confiança feminina nos partidos e nas instituições?

Inicialmente as mulheres precisam se engajar de forma mais efetiva. Não há política fora da política. Os movimentos de rua, os movimentos comunitários, são de grande importância também, mas a gente só consegue mudar alguma coisa no País se estivermos dentro das câmaras municipais, das assembleias legislativas, da Câmara Federal, do Senado Federal, se assumirmos cargos de direção nos governos, nas prefeituras. Temos que contribuir com o país e com a construção do futuro com nosso sentido feminino, com nossa sensibilidade, com nossa capacidade de trabalho e de doação. Mas sem entrar nos partidos políticos, não conseguiremos trabalhar pela mudança que tanto precisamos.

Revista Todas: Que mensagem a senhora gostaria de deixar para as mulheres que pensam em se aproximar da vida partidária mas que ainda não o fizeram?

Nós, que há muito tempo militamos na luta pela maior participação da mulher na política sempre tivemos como objetivo e sonho fazer do Brasil uma sociedade em que são plenamente respeitadas as diferenças. Trabalhamos por um País que promova a igualdade de oportunidades, em que os preconceitos sejam desarmados, em que homens e mulheres possam construir juntos um futuro de prosperidade e desenvolvimento. Para conquistarmos essa igualdade, para estabelecermos uma sociedade moderna e inclusiva, há a necessidade de a mulher se entregar ainda mais, com empenho, trabalho, participação, enfrentamento, nessa causa tão difícil de ser conquistada. Se nós, mulheres, queremos ser ouvidas, se queremos ser respeitadas, se queremos não sofrer com a violência, se queremos falar e agir de igual para igual com os homens, só conseguiremos chegar a este estágio se nos engajarmos. Ssem essa participação, continuaremos no fim da fila dos interesses das políticas públicas e não veremos nossas demandas serem atendidas. Juntas, podemos muito mais. Lugar de mulher é no PTB.

Entrevista concedida ao jornalista Adriano Barcelos para a Revista Todas.

Última modificação em Quinta, 15 Setembro 2016 17:55
Patrícia Cagni

Nascida em Brasília, formou-se em jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Fez estágios nos jornais "Correio Braziliense" e "O Globo". Atualmente faz a cobertura do Congresso Nacional como repórter de Política do portal Congresso em Foco.

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