Envelhecimento saudável, questão de saúde pública

Marli Iglesias Marli Iglesias Neto Souza/Arquivo PTB Nacional
Publicado em Artigos
Lido 54 vezes

Por Marli Iglesias *

Levantamentos recentes realizados pelo IBGE constataram que é mais do que visível o aumento da população idosa no Brasil e no mundo. Em todo o planeta, a expectativa de vida cresceu 50% desde a metade do século passado e os idosos são a faixa etária que mais cresce atualmente – estimativa liderada pela América Latina, onde a proporção de idosos deve aumentar em 71% nos próximos 15 anos. Da mesma forma que cresce o contingente de pessoas idosas, consequentemente cresce a população de aposentados: em 2060, estima-se que metade da população economicamente ativa no Brasil estará apta a se aposentar.

Essas mudanças que ocorrem na nossa pirâmide social exigem a tomada de ações que proporcionem às pessoas da chamada terceira idade maior qualidade de vida e condições de enfrentar as limitações que a velhice impõe. Nesta direção, temos observado a disseminação de uma consciência coletiva em torno do envelhecimento saudável, ou seja, o adiamento da aposentadoria, o incentivo para a prática de esportes, o combate efetivo às doenças, o estímulo à leitura e às atividades mentais, enfim, o comprometimento em propagar a ideia de que ultrapassar a barreira dos 65 ou dos 70 anos não representa ter chegado ao final do caminho.

Essa nova consciência que se propaga, de valorização cada vez maior da pessoa idosa e de sua participação na vida da sociedade, além de envolver a melhoria da saúde e da qualidade de vida, abre nova perspectiva também na área econômica. Estudo divulgado nos últimos dias pelo instituto de pesquisa Locomotiva, sobre comportamento dos brasileiros com 50 anos ou mais, chamam atenção para um mercado que só tende a crescer no nosso País. De acordo com o estudo, chamado de “Longeratividade”, dos 54 milhões de pessoas com 50 anos ou mais, 47% se mantém trabalhando. Metade da renda desses brasileiros (51%) vem do trabalho e o restante de aposentadoria e pensão.

A pesquisa “Longeratividade” também abordou hábitos de consumo das pessoas de maior idade, apontando que 29% dos entrevistados disseram que têm intenção de comprar móveis, 15% querem fazer alguma viagem pelo país, 12% pretendem comprar TV LCD ou LED, outros 12% responderam que vão comprar geladeira, enquanto 9% planejam adquirir laptops ou tablets. Além disso, 24% dos brasileiros com 50 anos ou mais acessam a internet com regularidade (20% via smartphones) – destes, 98% usam Facebook e 40% trocam mensagens no WhatsApp.

No âmbito pessoal, a pesquisa do Instituto Locomotiva revelou que os brasileiros com 50 anos ou mais se dizem otimistas com o futuro: 49% responderam que o Brasil vai melhorar em 2018 e 65% acreditam que sua própria vida será melhor. Ao mesmo tempo, 33% deles têm medo de ficar doentes e, 24%, de morrer – entretanto, apenas um quarto das pessoas nessa faixa etária possui algum tipo de plano de saúde. Ou seja, como conclui a pesquisa, os idosos fazem parte da única camada da população que só vai crescer, situação que abre oportunidades econômicas e também demandas por políticas públicas específicas.

E ao mesmo tempo em que se fala mais sobre o envelhecimento saudável, ainda continuamos nos preocupando pouco em atender de forma mais complexa esta faixa etária com políticas públicas. Um estudo de entidades internacionais mostrou que países com população jovem se preocupam menos com o envelhecimento do que países com população mais idosa. Por exemplo, enquanto apenas 31% dos brasileiros acreditam que o crescimento do número de idosos é um problema, 87% dos japoneses avaliam essa situação como um problema nacional. Desta forma, a baixa preocupação das pessoas com a questão do envelhecimento desfavorece tanto a adoção de políticas públicas como de comportamentos preventivos.

Diante deste quadro, todos nós, tanto eu, que já estou na terceira idade, como os mais jovens, as pessoas de meia idade, precisamos ter em mente que a expectativa de vida do brasileiro vem aumentando progressivamente, chegando aos 74 anos em média e aos 80 anos na classe média dos grandes centros. Portanto, precisamos contribuir efetivamente para a manutenção e a boa qualidade do envelhecimento de homens e mulheres. Este é um desafio não apenas do poder público, de governantes e legisladores, mas também de cada cidadão, seja velho ou novo. Cuidar da saúde das pessoas é acima, de tudo, cuidar da saúde do nosso País.

* Marli Iglesias é diretora financeira da Fundação Ivete Vargas

Última modificação em Quarta, 27 Dezembro 2017 21:41
Gaia Comunicação

É uma empresa de comunicação sediada na cidade do Rio de Janeiro. Presta serviços de assessoria de imprensa para a Fundação Ivete Vargas.

Estamos no Facebook