Wael Ghonim: Vamos projetar mídias sociais que levem a mudanças reais

Wael Ghonim: Vamos projetar mídias sociais que levem a mudanças reais Imagem: TED
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Em palestra ministrada no TEDxGlobal 2015, em Genebra, o diretor de marketing da Google no Oriente Médio e Norte da África, Wael Ghonim, contou como colaborou com o início da Primavera Árabe em seu país, o Egito, criando uma simples página no Facebook. O palestrante relata que o fato, ocorrido em 2011, foi um momento revelador do grande potencial das mídias sociais, mas também mostrou as maiores fraquezas que ela possui.

Wael Ghonim revela que, após a revolução que tomou as ruas, os sentimentos passaram de esperançosos para confusos, logo depois horríveis e, por fim, dolorosos. Nas mídias sociais não foi diferente, pois o que antes era um espaço de esforço coletivo, engajamento e compartilhamento, transformou-se rapidamente em um campo de batalha polarizado. “Eu me encontrei numa cela, algemado, vendado. Eu estava apavorado. Minha família também, e começou a procurar por mim em hospitais, estações de polícia e até em necrotérios. (...) Depois do meu desaparecimento, uns poucos colegas que sabiam que eu administrava a página falaram para a mídia sobre minha conexão com aquela página, e que provavelmente eu tinha sido preso pela segurança do Estado. (...) Depois de 11 dias de completa escuridão, eu fui libertado. E três dias depois, Mubarak foi forçado a renunciar. Foi o momento mais inspirador e encorajador da minha vida. Foi um tempo de grande esperança”, relata Wael Ghonim durante a palestra.

Após continuar o seu relato pós-prisão, o palestrante listou cinco desafios críticos que as mídias sociais atuais precisam enfrentar. O primeiro e mais importante é que as pessoas não sabem lidar com boatos. "Boatos que confirmam a opinião pessoal das pessoas agora são acreditados e espalhados entre milhões de pessoas”, declara. Ao terminar de explicar os cinco desafios, Wael Ghonim conta que testemunhou como esses desafios críticos ajudaram a dividir uma sociedade egípcia já polarizada, e que isso não é só sobre o Egito. “A polarização está em alta no mundo todo. Precisamos trabalhar muito para descobrir como a tecnologia pode ser parte da solução, em vez de ser parte do problema”, explica.

O palestrante conta ainda que há muito debate nos dias atuais a respeito de como combater o assédio e as provocações on-line, o que é muito importante. Além disso, Ghonim ressalta que também as pessoas precisam pensar em como projetar as experiências nas mídias sociais, promovendo a civilidade e recompensando a consideração. “Cinco anos atrás eu disse: ‘Se você quer libertar a sociedade, tudo que você precisa é a Internet.’. Hoje acredito que se quisermos libertar a sociedade, primeiro precisamos libertar a Internet”, conclui o palestrante.

Assista abaixo a palestra na íntegra.

Graciete Brito

Graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, e pós-graduada em Assessoria de Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Tecnológicas - FACITEC. Foi estagiária em veículos como Revista Foco, Jornal da Comunidade, TV NBR e jornalista com atuação em assessoria de imprensa de entidade sindical e agência de marketing.

 

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