Luiz Francisco Correa Barbosa: Memórias da Ditadura

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“Isso é coisa de quem não experimentou a intervenção militar”. Com a retórica afiada pelos anos de advocacia, é assim que Luiz Francisco Correa Barbosa reage aos crescentes pedidos de intervenção feitos por parcela da população. Prefeito de Sapucaia do Sul, no Rio Grande do Sul, entre 1993 e 1996, nascido em Pelotas/RS, Barbosa ficou conhecido nacionalmente ao fazer a defesa de Roberto Jefferson durante a ação penal 470, o processo do mensalão. Neste depoimento pessoal concedido à equipe da Fundação Ivete Vargas, em Brasília, Barbosa relembra os antecedentes do Golpe de 1964, sua saída do Exército e seu contato no período com a presidente Dilma Rousseff.

Além de tratar de temas atuais, como o pedido de impeachment da presidente Dilma e a dura realidade econômica do país, Barbosa reforça a tese de que as reformas na educação feitas pelos militares, com o objetivo de desagregar o movimento estudantil, acabaram inibindo a formação de novas lideranças políticas, gestadas historicamente dentro do movimento. Ao final, Barbosa relata a sua surpresa ao buscar a então presa política Dilma Rousseff na saída da cadeia e se deparar visualmente com o resultado das sessões de tortura pelas quais ela havia passado, uma imagem que, segundo Barbosa, até hoje o assombra e não sai de sua memória.

Última modificação em Quinta, 15 Setembro 2016 17:04
Patrícia Cagni

Nascida em Brasília, formou-se em jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Fez estágios nos jornais "Correio Braziliense" e "O Globo". Atualmente faz a cobertura do Congresso Nacional como repórter de Política do portal Congresso em Foco.

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