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dezembro 7, 2021
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Pesquisas revelam prejuízos que redes sociais podem causar aos jovens

Nos últimos meses, o Facebook passou por uma das maiores crises da sua história em razão de vários fatores acumulados: nova política de privacidade da Apple (que reduziu a arrecadação com anúncios), o fim do reinado com a forte concorrência do TikTok e a série de materiais vazados sobre pesquisas internas que revelavam o impacto nocivo do Instagram sobre adolescentes.

Além do levantamento já mencionado, há outras pesquisas pelo mundo que revelam como o Instagram e outras redes sociais podem influenciar o desenvolvimento emocional e psicológico dos adolescentes. O site Canaltech selecionou algumas das mais relevantes para as pessoas, especialmente os pais e responsáveis, entenderem melhor como isso ocorre e quais as consequências para a futura geração.

1. Impacto na imagem de adolescentes
No começo de setembro de 2021, o Wall Street Journal publicou reportagem sobre uma pesquisa interna do Facebook que tratava do potencial nocivo do Instagram sobre a mente de adolescentes. O levantamento conduzido pela própria companhia revelou, entre outros dados, que entre as adolescentes que reportaram se sentirem mal com seu corpo, uma em cada três disseram que a rede social comandada por Adam Mosseri piorava esse sentimento..

Na época, o Facebook decidiu se posicionar oficialmente sobre o assunto de modo categórico e argumentou que o veículo teria "entendido mal" não apenas o propósito do levantamento, mas também os resultados encontrados. A matéria obviamente assustou as pessoas e levantou preocupações acerca do compartilhamento de fotos e vídeos, o que levou os legisladores dos Estados Unidos a pressionarem o maior conglomerado de redes sociais do mundo por respostas.

O vice-presidente e head de pesquisa do Facebook, Pratiti Raychoudhury, publicou um longo texto no qual esclareceu a pesquisa e buscou contestar, ponto a ponto, a reportagem. De acordo com Raychoudhury, o estudo revela também os benefícios do uso do Instagram: "A pesquisa demonstrou que muitos adolescentes sentiram que usar o Instagram os ajudam quando estão lutando contra momentos difíceis e problemas que enfrentaram sempre".

Segundo Raychoudhury, a pesquisa não mediu relações causais entre o Instagram e problemas do mundo real. "Esses documentos também foram criados para e usados por pessoas que entenderam as limitações da pesquisa, motivo pelo qual elas ocasionalmente usam linguagem simplificada, especialmente nos títulos, e não fazem ressalvas em cada slide", justificou.

2. Aumento de depressão e tendências suicidas
Em uma audiência realizada em março de 2021, a deputada estadunidense Cathy McMorris Rodgers fez um alerta para a relação entre as redes sociais e o aumento da depressão e suicídio entre adolescentes. Nos Estados Unidos, as taxas de depressão em adolescentes aumentaram em mais de 60% de 2011 a 2018, enquanto as internações em pronto-socorro por automutilação entre meninas de 10 a 14 anos triplicaram de 2009 a 2015.

A pesquisa foi conduzida pelo CDC National Youth Risk Behavior Surveys, uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Em todos os cenários expostos há um claro aumento na incidência de questões graves de saúde pública no comportamento da população jovem. Conforme relatado no estudo, em 2019, cerca de 16% dos alunos do ensino médio — a maioria do sexo feminino — foram intimidados eletronicamente por meio de mensagens de texto, Instagram, Facebook ou outra rede social.

Na ocasião, a deputada colocou contra a parede três grandes nomes do setor tecnológico mundial: CEO do Facebook, Mark Zuckerberg; o CEO do Twitter, Jack Dorsey; e o CEO do Google, Sundar Pichai. O mandatário do Facebook, que também é proprietário do Instagram, contudo, disse não reconhecer nenhuma conexão entre o declínio da saúde mental dos adolescentes e a ascensão das plataformas de mídia social — o que o seu próprio estudo desmentiu posteriormente.

3. Abusos no Reino Unido
Em março de 2019, uma pesquisa mostrou um cenário bastante delicado para os adolescentes do Reino Unido: 55% dos casos de abuso infantil registrados no país tinham o Facebook, Instagram ou alguma plataforma de propriedade da empresa como cenário. O estudo foi produzido pela Sociedade Nacional de Prevenção da Crueldade Contra Crianças (NSPCC, na sigla em inglês) e coletou dados de 18 meses para chegar a conclusão de que as plataformas sociais podem ser usadas como ferramenta para aliciamento e exploração de jovens.

Segundo os dados da organização não governamental, obtidos a partir de informações divulgadas pelas autoridades locais, dos 5.161 crimes registrados, 3.400 envolveram métodos de comunicação online. E, desse total, o Facebook aparece na liderança absoluta, com 1.900 ocorrências envolvendo algum tipo de participação da plataforma ou aplicativos como Instagram, WhatsApp ou o Messenger.

A NSPCC também apontou que a popularidade das redes sociais está atrelada a um aumento de 50% dos casos de abuso sexual infantil, enquanto houve uma queda no mesmo percentual de fatos ocorridos de forma presencial — apenas 100 ocorrências desse tipo registradas pelas autoridades do Reino Unido.

Em novembro de 2020, a instituição publicou um novo levantamento para revelar como os casos de abusos infantis cresceram em razão do lockdown e do maior acesso dos jovens à internet. Nesse caso, o Instagram foi responsável por 37% dos casos, um aumento considerável quando comparado aos 29%dos três anos anteriores — todos os apps da Meta/Facebook, quando somados, corresponderam a 51% dos casos de abusos envolvendo comunicação digital.

4. Exposição a anúncios com temáticas adultas
Um estudo do Tech Transparency Project (TTP), organização não governamental voltada para estudos na internet, descobriu ser possível criar publicidade no Facebook — e, consequentemente, no Instagram — direcionada para menores de idade com assuntos relacionados a álcool, relacionamentos, perda de peso, cigarros entre outros temas nocivos aos mais jovens. As regras de conduta da rede proíbem o direcionamento desse tipo de conteúdo para os jovens, mas haveria brechas no sistema de verificação que permitiam a exibição.

O grupo criou seis campanhas pagas na plataforma, cada uma com meia temas como álcool, perda de peso, pílulas, apostas, site de relacionamentos e tabagismo. O TTP restringiu a faixa etária da campanha para entre 13 e 17 anos, nos Estados Unidos, e afirma ter conseguido colocar as campanhas para funcionar — algumas foram aprovadas em cerca de duas horas.

No anúncio voltado para perda de peso, por exemplo, os pesquisadores conseguiram restringir a exibição para pessoas interessadas em “dietas alimentares” e “perda de peso extrema”, inclusive com referência direta para “dicas de ana” (ana é o termo das redes sociais para anorexia). Já na propaganda sobre remédios, foram usadas referências a Skittles, balas populares nos EUA, com pílulas medicamentosas no plano de fundo e uma clara referência ao uso delas para ficar "chapado".

Ferramentas para combate
Esses são apenas alguns dos estudos publicados recentemente, mas há muitos outros espalhados pela internet com diversos enfoques. Existe bastante controvérsia sobre o assunto, mas, em geral, os psicólogos e especialistas pedem moderação no uso e atenção dos pais.

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