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dezembro 7, 2021
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Uso de painéis solares dispara como alternativa ao custo da energia

Os “telhados solares” do Brasil já detêm pouco mais da metade (57%) da potência instalada de uma usina de Itaipu, cuja energia elétrica gerada também abastece o Paraguai. São 7,3 GW (gigawatts) de potência aferidos neste mês ante os 4,7 gigawatts acumulados em janeiro, alta de 53% no período, segundo levantamento do Portal Solar Franquias, que monitora o setor.

A diferença é que toda esta estrutura não precisou alagar grandes áreas de florestas, remover populações, interferir na biodiversidade e nem comprometer os cofres públicos com gastos bilionários. No contexto global, a fonte solar ganhou as mesas de negociação da COP 26, a Conferência do Clima realizada em Glasgow, na Escócia, como uma das soluções para diversificar a matriz energética e reduzir a emissão de gases do efeito estufa das principais economias do planeta nas próximas décadas.

A energia solar responde por apenas 2% da matriz energética do Brasil, que ocupa a 14ª posição neste mercado, apesar de possuir uma das melhores irradiações ao longo do ano inteiro — de norte a sul.

“Mas a tendência é que o país suba para o sexto lugar nos próximos dois anos a partir dos investimentos previstos e com mais gente se interessando por esse tipo de geração limpa e sustentável”, afirma o engenheiro eletricista Guilherme Suteras, coordenador da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica).

Dados da associação do setor mostram que apenas 0,9% dos 88 milhões de consumidores de energia elétrica no país fazem uso do sol para produzir energia. O tamanho do “Golias” vem diminuindo com o ritmo acelerado das instalações de painéis solares, serviço hoje executado por cerca de 17 mil empresas.

A mesma Absolar diz que, até outubro deste ano, o país contava com 800 mil unidades consumidoras de energia com geração própria a partir da fonte solar, um incremento de 450 mil instalações em relação a todo 2020.

Esse apetite, segundo especialistas do segmento, resulta da evolução da tecnologia, que hoje está mais barata e acessível ao consumidor final; do estabelecimento de uma cadeia produtiva nacional, para a montagem e instalação dos equipamentos; e do preço elevado da conta de luz cobrada pelas concessionárias.

Segundo o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE, o preço da energia elétrica acumula alta de 24,97% em 2021. Todo esse aumento está diretamente relacionado ao fato de o país enfrentar a pior crise hídrica dos últimos 91 anos contra os reservatórios das hidrelétricas.

Com as turbinas operando aquém do necessário, o governo Bolsonaro (sem partido) criou uma tarifa excepcional para arcar com as operações das termelétricas (mais custosas e poluentes) para o sistema não entrar em colapso. E a maior parte dessa conta fica com o consumidor, que tem buscado na energia solar uma forma alternativa e segura na hora de investir.

Boom na pandemia
A quarentena imposta pela pandemia de Covid-19 transformou as casas dos brasileiros também em locais adaptados para o trabalho. O home office elevou os gastos com energia e, ao mesmo tempo, foi outro chamariz para o aumento das instalações de painéis solares no período no país.

Segundo mapeamento da Greener, empresa baseada em São Paulo que pesquisa o setor, 50% das instalações de painéis solares foram feitas nos telhados das residências no primeiro semestre deste ano.

Em 2020, o segmento residencial obteve a maior fatia do mercado, com 39% de participação, e ficou à frente do comércio (37%), muito afetado com a descontinuidade dos negócios na crise sanitária.

Márcio Takata, CEO da Greener, fez uma simulação que mostra que o preço mais acessível do serviço (aquisição do equipamento e a instalação) vem sendo o responsável por atrair novos consumidores.

Segundo Takata, um sistema de 4kWp (quilowatt pico), o mais utilizado nas residências, custava cerca de R$ 35 mil para o consumidor final em junho de 2016. Em junho deste ano, o mesmo kit fotovoltaico, era comercializado por R$ 19 mil, um recuo de 44% em cinco anos. “Quanto menor o valor, menor também será o tempo de payback [retorno do investimento]”, diz.

Segurança jurídica
Operadores de energia apontam como um dos principais propulsores da energia solar no país o projeto de lei 5829/19, que institui o marco legal da microgeração e minigeração distribuída. Em tramitação no Senado desde setembro, o mercado sinaliza que a iniciativa trará mais segurança jurídica ao setor.

“O que temos hoje é basicamente uma resolução normativa, de 2012, da Aneel sobre o tema”, afirma o coordenador da Absolar, Guilherme Suteras.

A entidade estima que o marco legal da geração de energia distribuída poderá gerar R$ 173 bilhões com a queda de custos aos consumidores até 2050. Para Takata, da Greener, os preços dos equipamentos para geração solar já estão, no momento, mais caros devido ao aprofundamento da crise energética na China, a principal fornecedora mundial de equipamentos fotovoltaicos.

No entanto, o executivo calcula que o impacto do preço da energia elétrica deve compensar esse “soluço” momentâneo sem rebaixar o desempenho das instalações de painéis solares neste final do ano e início de 2022.

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