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dezembro 4, 2022
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ARTIGO: “A mudança que começou com a arte”, por Leonardo Mota

* Por Leonardo Mota

O ano de 2022 chega com uma comemoração que nos alimenta de esperanças: o país celebra o centenário da Semana de Arte Moderna que inaugurou o século 20 no Brasil. O país vivia anos de muita criatividade, de novos escritores e artistas que surgiam, em que o futuro era saudado pelas populações em geral.  O automóvel substituía as carruagens, os trens uniam as cidades, o cinema parecia a maravilha do século.

Em São Paulo, um evento de música, poesia e artes plásticas celebrava o Modernismo no Brasil. No Teatro Municipal de São Paulo, entre os dias 13 a 17 de fevereiro de 1922, reuniram-se escritores como Mário de Andrade e Oswald de Andrade, poetas como Manuel Bandeira, músicos como Heitor Villa Lobos, artistas como Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, celebrando a arte moderna brasileira. O movimento negava o parnasianismo dominante então na literatura e adotava o povo brasileiro e as coisas do Brasil nos textos e nas telas.  

Cem anos depois, o movimento modernista ainda ecoa na produção artística no Brasil. Tarsila do Amaral pintou seu quadro mais famoso, o Abaporu, que representa um índio de pé grande. O nome do quadro remete a um termo indígena, o homem que come gente. Foi vendido ao Museu de Arte Moderna em Buenos Aires. Primeiro presenteado ao escritor Oswald de Andrade, o quadro inspirou o movimento antropofágico na literatura brasileira. Este movimento rompia com a dominação literária estrangeira e instituía temas e seres brasileiros na arte e na literatura.

Duas obras do primeiro período do modernismo são fundamentais:

– O “Manifesto da Poesia Pau-Brasil” (1924-1925): obra de Oswald de Andrade que delineava como deveria ser escrita a poesia modernista, e a “Revista de Antropofagia” (1928-1929): publicação conjunta de vários autores modernistas, baseada no “manifesto antropofágico” de Oswald de Andrade.

Ecos da Modernidade

Outros livros e pinturas foram surgindo ao longo dos anos. Novos movimentos literários se voltaram para a realidade nordestina, como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, ou para a cultura mineira, como Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa. Na Arquitetura, surgiram prédios como o do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, com seus pilares e um belíssimo painel de Portinari. Foi  obra de um grupo de arquitetos  que  incluía Oscar Niemeyer, autor também dos diferentes prédios da Esplanada dos Ministérios em Brasília. Na poesia, Carlos Drummond de Andrade se inspirava no dia a dia dos brasileiros em seus versos. Na música popular brasileira a renovação modernista surgiu com o tropicalismo de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Durante os cem anos desde a Semana de Arte Moderna, aconteceram a Segunda Guerra Mundial e guerras localizadas, e a bomba atômica explodiu em Hiroshima e Nagazaki, instituindo o medo da destruição em massa em todos os povos. Foi um período conhecido como modernidade líquida, quando os conceitos e costumes foram revirados, o consumo e as redes sociais se tornaram constantes na vida de todos e até uma pandemia atingiu as populações de todo o planeta.

Muitas mudanças também surgiram no campo político, que serão tema do próximo artigo. O Modernismo trouxe direitos e deveres novos para as populações e seus representantes.  

* Leonardo Mota é jornalista e consultor de comunicação

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