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julho 7, 2022
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ARTIGO: Imprensa: liberdade ou negacionismo?, por José Machado

Por José Machado *

Primeiro de maio, dia mundial do trabalho. Uma data que Getúlio Vargas comemorava anunciando medidas em defesa do trabalhador brasileiro. Em 2021, não houve convocações públicas, mas nem por isso o povo deixou de ocupar as ruas das principais capitais do país. Foi um primeiro de maio como nunca se viu antes. Vestidos de verde e amarelo, segurando bandeiras do Brasil, milhões de pessoas a pé ou em carreatas de automóveis se reuniram para um único motivo: mostrar apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

A manifestação livre e espontânea consagrava o sentido mais amplo do que é a democracia: a vontade do povo apresentada aos governantes. Ou melhor: ao chefe da nação, o presidente da República. Apenas uma expressão foi dita nos cartazes em muitas mãos: “eu autorizo”. Foi a representação, ao vivo e a cores, de um voto dado em 2018. Foi a repetição nas ruas de um ato de votar e escolher um presidente autorizado a exercer o poder, autorizado a governar.

Mas houve um senão: onde estava a imprensa? Escondida nas redações? A chamada grande imprensa – Folha, Estadão, revista Veja, O Globo – ignorou o fato. Nas televisões – Band, Globo, CNN – o silêncio foi grande. No ar, exibiam os seus programas bolorentos de todos os domingos. Mas nas redes sociais as imagens se acumulavam, e o acontecimento se impôs aos brasileiros.

O Fim do Jornalismo?

A ausência de repórteres nas ruas e de noticiários sobre o acontecimento marca uma atitude negacionista da imprensa em geral. E o que acontece quando o fato, o acontecimento, só é noticiado quando interessa às empresas? São ordens que chegam de cima? São repórteres que assumem posições políticas e se negam a cobrir fatos?

Se a população precisa de redes sociais para se informar sobre o que acontece no país, o jornalismo profissional vai criando a própria cova. Existe coisa mais triste do que um jornal ou um noticiário de TV ser chamado de “lixo”? 

A ONU lembrou que o dia primeiro de maio é também considerado Dia da liberdade de imprensa. Mas não existe liberdade de não informar. E isso porque o acontecimento não pertence ao redator chefe, ao repórter ou ao apresentador.  O acontecimento se dá nos campos sociais, nas atividades das populações, nos conflitos entre personagens que escrevem a história de um país. Nenhum acontecimento surge nas redações. O papel da imprensa é o de relatar, interpretar os fatos, mostrar as posições, as diferenças entre grupos sociais. Sem tomar partido.

Quando a imprensa se nega a cobrir um fato ela perde o respeito. Se o jornalista se recusa a usar a liberdade de informar ele nega a verdade dos fatos. Porque seu negacionismo só atinge a ele mesmo, sua seriedade e honradez. Os acontecimentos continuarão a ter impacto social, a construir novas verdades. Fatos são fatos e a negação será percebida por todos, sem perdão.  

*José Machado é jornalista e especialista em comunicação digital

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