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setembro 26, 2022
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ARTIGO: “Um país em seu novo presente”, por Leonardo Mota

* Por Leonardo Mota

"Brasil, um país do futuro". Este é o título de um livro escrito na década de 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, pelo escritor austríaco Stefan Zweig que, encantado com o país que o recebeu como foragido, fala de uma terra que caminhava para a civilização e que deveria se tornar uma grande potência. “Um país tão gigante que não deveria ser chamado de país e sim de continente”, dizia Zweig, encantado com o exemplo de convivência pacífica entre diferenças de classe, etnias, cores, religiões que viu no país de então, uma convivência que contrapôs ao que prevalecia no velho mundo, onde, segundo ele, “imperava a loucura de se criar pessoas de raça pura, como se fossem cavalos de corrida ou de cães”.

      O Brasil daquela época tinha aproximadamente 50 milhões de habitantes e 56% deles eram analfabetos. A maioria da população vivia em áreas rurais e praticamente metade das exportações se restringia a produtos agrícolas. Aos olhos, no entanto, do fugitivo da guerra, o Brasil era um paraíso. Ao descrever o Rio de Janeiro, Zweig afirma que a cidade representou uma das impressões mais poderosas que havia experimentado em toda sua vida. “O olhar excitado não se cansava de ver e, para onde olhasse, era recompensado. Fiquei possuído por um torpor de beleza e de felicidade que excitava os sentidos e dilatava o coração” (Zweig, 2013, p.14).

     Apesar de comparar o Brasil às nações europeias, Zweig amenizou os problemas do país, como o atraso tecnológico e a educação precária. Para isso, usou novos paradigmas, como não reconhecer critérios de superioridade de um povo a partir do poderio militar, industrial e financeiro de um país. Preferiu verificar o espírito pacifista e humanitário do povo, criticando a atitude de superioridade do estrangeiro em geral, com seu olhar preconceituoso sobre o brasileiro.

O Brasil de hoje

     Oitenta anos depois, o Brasil cresceu e tem hoje cerca de 220 milhões de habitantes, que não moram mais só nas áreas rurais, mas superpovoam as metrópoles. A situação econômica é a grande preocupação, além do enfrentamento à pandemia, provocada pelo Covid-19, que já tirou a vida de mais de 500 mil brasileiros, e aumenta as filas em postos de saúde e hospitais. Além da economia, a política se tornou uma incógnita no que se refere ao futuro das instituições democráticas. O impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016 durante a Olímpiada no Rio de Janeiro, misturou frustrações pelo sentimento de uma quebra constitucional com a alegria das multidões que assistiram aos Jogos Olímpicos. O Brasil real não foi percebido pelos visitantes, que foram incomodados apenas por alguns casos de assaltos, sem violência, ocorridos contra turistas e atletas. Já os jornais estrangeiros noticiavam os atletas vencedores dos jogos ao lado do processo de impeachment que o país assistia. O espanhol El País relatou que o julgamento político que Dilma enfrentava tinha pouca chance de ser interrompido.

A diversidade ganhou

       A alegre cordialidade do brasileiro, tão decantada há mais de 80 anos pelo escritor Stefan Zweig, parece ter se expandido nos anos seguintes à Olimpíada e ao impeachment.  Mas outra característica foi também percebida por todos os que acompanharam as disputas olímpicas. O Brasil do presente tem novos heróis, pessoas com sobrenome Silva, ou Santos, que subiram aos pódios. Atletas com um passado difícil, com uma infância em que tiveram que trabalhar, esbanjavam alegria com medalhas de ouro, prata ou bronze.

Atletas e povo, juntos, mostraram a determinação de vencer também as dificuldades da vida. O jogo se impôs nas ruas das cidades, pequenas ou grandes, com as pessoas enfrentando ônibus e trens para garantir um emprego e o pão de cada dia.

       A diversidade tão decantada por Zweig, que exaltou “a harmonia entre as diferentes raças que convivem pacificamente no Brasil”, parece que se torna, nos dias de hoje, mais visível e respeitada, não só a partir do esporte, que consagra campeões que não pertencem a uma elite social ou esportiva, mas disputam a sobrevivência no dia a dia. As eleições de 2018 trouxeram um novo presidente, que recebeu a tarefa de arrumar o que havia saído dos trilhos. Uma tarefa difícil para o presidente Jair Bolsonaro, que sobreviveu a uma facada e sobrevive todos os dias às dificuldades e aos ataques dos que se movem pelo ódio, porque as paixões políticas não dormem.

        O país que saiu das selvas, conforme observou o presidente Alberto Fernandez, da Argentina, luta como um leão para vencer a pandemia e garantir alimento para todos os brasileiros. E cada vacina parece um pódio conquistado. Este é, finalmente, o Brasil do presente, não mais uma esperança de futuro, mas um país que se encontra de vez com suas raízes, com seu destino.

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