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agosto 16, 2022
Ciência Noticias

Três meses depois de anunciar projeto de respirador mais barato, USP faz últimos testes

Quase três meses após anunciar a criação de um ventilador pulmonar emergencial, o grupo de engenheiros da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) deve concluir os últimos testes do aparelho até o final desta semana no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).

Batizado como Inspire, o ventilador pulmonar poderá ser fabricado em 2 horas e custará cerca de R$ 1 mil, 15 vezes menos do que os aparelhos comerciais mais baratos, segundo os pesquisadores da Poli. A fabricação será feita pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) após aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Trata-se de uma organização militar que tem convênio com a USP desde 1956.

"Já tivemos resultados satisfatórios nas etapas imediatas e os últimos testes deverão ocorrer até o final desta semana. Esta é a última etapa do trabalho para podermos iniciar a fabricação. Todos os demais quesitos já foram superados, tanto na Poli, quanto na Marinha", informou a USP em nota nesta quinta-feira (25).

A estimativa inicial é a de que o CTMSP tenha capacidade de produzir entre 25 e 50 ventiladores pulmonares por dia, e essa capacidade poderá ser ampliada caso haja necessidade.

O que falta para a Anvisa autorizar a produção do ventilador é um teste de imunidade eletromagnética. De acordo com o Professor Marcelo Zuffo, um dos professores responsáveis pelo projeto, o teste é necessário porque os aparelhos possuem motores muito potentes que geram interferência nos pacientes.

"Não podemos perder de vista que é um equipamento de suporte à vida. São testes rigorosos, e não temos precedente nessa categoria de equipamento", afirmou Zuffo ao G1.

O ventilador da USP foi submetido à regularização da Anvisa pela primeira vez no dia 13 de maio. Três dias depois, a área técnica da agência realizou a análise do processo e enviou uma exigência técnica, que foi sanada pela Poli no dia 25 de maio. Agora, está pendente apenas o teste de imunidade eletromagnética.

Esta última exigência técnica deve ser sanada nos próximos dias pela Politécnica, segundo a Anvisa. A agência também já realizou a inspeção no local de fabricação do produto, que foi considerado satisfatório.

O ventilador pulmonar desenvolvido pela USP foi denominado pela Anvisa como "Equipamento de Suporte Respiratório Emergencial e Transitório -Ambu Automatizado". Ele automatiza o processo de compressão e descompressão de um Artificial Manual Breathing Unit – Ambu (unidade manual de respiração artificial).

De acordo com a agência, esse tipo de equipamento deve ser utilizado pelas equipes clínicas dos hospitais como uma alternativa emergencial e transitória. Eles são usados para estabilização de pacientes com incapacidade de manter a respiração e na ausência de um ventilador pulmonar para cuidados críticos. Nesses casos, os pacientes devem usar equipamentos de ventilação automática.

Depois de concluída a exigência da Anvisa, o ventilador será será testado novamente em humanos.

Testes com humanos
O ventilador da USP já passou por testes com humanos. Eles foram feitos com quatro pacientes nas dependências do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas (HC) da USP, entre os dias 17 e 19 de abril. Na avaliação dos técnicos, o respirador foi considerado aprovado em todos os modos de uso e não houve nenhum problema com os pacientes ventilados.

Além da pesquisa feita no HC, testes com animais e avaliações técnicas também comprovaram a eficiência do respirador.

O ensaio no HC foi feito de acordo com as orientações da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa e sob a coordenação do professor José Otávio Auler Junior, da Faculdade de Medicina. Antes disso, em 13 e 14 de abril, o equipamento foi testado em animais, sob a orientação de professoras da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ).

O respirador Inspire foi desenvolvido pela equipe do professor da Poli, Raul González Lima. Além de ser produzido em até 2 horas, o equipamento tem custo vantajoso: enquanto os ventiladores convencionais custam, em média, R$ 15 mil, o valor do Inspire é de cerca de R$ 1 mil, de acordo com os pesquisadores envolvidos.

Para acelerar as avaliações técnicas, os engenheiros tiveram que improvisar. Uma bexiga de aniversário, feita de borracha, foi enchida de ar pelo respirador para verificar se o aparelho era capaz de controlar variáveis como pressão e vazão do oxigênio.

Comunicação FIV

Equipe de Comunicação da Fundação Ivete Vargas

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