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agosto 12, 2022
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“Um Tiro na Madrugada”, artigo de Chico Galindo

*Por Chico Galindo, Presidente da FIV

No calendário político brasileiro, agosto é um mês marcado por acontecimentos funestos. Um deles ocorreu em 1954, quando o presidente Getúlio Vargas cometeu suicídio no Palácio do Catete. Sessenta e cinco anos depois, a tragédia ainda é lembrada pelas lições que nos fazem refletir sobre uma prática política de ódio e intransigência entre adversários, incapazes de construir um diálogo para o bem da população.

O político, militar e advogado Getúlio Dornelles Vargas havia sido eleito presidente da República em 1950 tomando posse no dia primeiro de janeiro de 1951. Depois de um longo período, entre 1930 e 1945, quando foi presidente no chamado Estado Novo, Getúlio ganhava o poder nas urnas. No seu segundo mandato, Vargas se voltou para a busca de mais desenvolvimento econômico para o país, expandindo a siderurgia nacional e a exploração de petróleo, com a recém-criada Petrobrás, como empresa pública.

No entanto, naquele agosto fatídico de 1954, uma crise política chegava ao seu ponto máximo e ameaçava tomar conta do país a partir do atentado ao jornalista Carlos Lacerda, que resultou na morte do Major Vaz. A oposição acusava como autor do atentado a Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de Vargas e o anjo negro das manchetes de jornais. Numa tentativa de aplacar as críticas, Getúlio dissolveu a guarda, mas uma rebelião de oficiais da Aeronáutica começou a exigir a renúncia do presidente. As críticas violentas de Carlos Lacerda no seu jornal Tribuna da Imprensa atraiam opositores na sociedade brasileira.

Forçado por inimigos políticos e por vários de seus ministros a pedir renúncia da Presidência da República, Getúlio Vargas enfrentou uma cansativa reunião ministerial no dia 23 de agosto de 1954. Na agenda de Getúlio estava anotado na página do dia 23, uma segunda-feira, o seguinte compromisso: "Já que o ministério não chega a uma conclusão, eu vou decidir: determino que os ministros militares mantenham a ordem pública. Se a ordem for mantida, entrarei com o pedido de licença. Em caso contrário, os revoltosos encontrarão aqui o meu cadáver."

No seu íntimo, a decisão já estava tomada: “só morto sairei do Catete”, frase que havia confidenciado a parentes. Mesmo assim, Getúlio concordou em se licenciar sob condições, e assinou uma nota oficial da presidência da República divulgada naquela madrugada do dia 24: "Deliberou o Presidente Getúlio Vargas…. entrar em licença, desde que seja mantida a ordem e os poderes constituídos…, em caso contrário, persistirá inabalável no propósito de defender suas prerrogativas constitucionais, com sacrifício, se necessário, de sua própria vida".

Getúlio, no final da reunião ministerial, assinou um papel, que os ministros não sabiam o que era, nem ousaram perguntar. Certamente, a nota oficial. Encerrada a reunião, sobe as escadas para ir ao seu apartamento. Vira-se e despede-se do ministro da Justiça Tancredo Neves, dando a ele uma caneta Parker 51 de ouro e diz: "para o amigo certo das horas incertas!"

Cansado, nos seus 72 anos, Getúlio entrou no quarto, vestiu um pijama e se deitou. Já passava da meia-noite. Se, ao deixar a reunião ainda pensava em sair de licença, novos pensamentos impediram o sono. Deve ter lembrado o que disse na reunião com os ministros: “este tiro que acertou o major Vaz acertou-me também nas costas”. O presidente se levantou, já com sua decisão tomada, e escreveu uma carta testamento, colocando uma cópia na mesinha de cabeceira e outra no cofre. Esperou o fim da madrugada para disparar um único tiro no coração.

O LEGADO

Em sua carta testamento, Vargas faz um balanço da sua vida política:

“Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram o meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente, dou o primeiro passo no caminho da eternidade. Saio da vida para entrar na história.”

Getúlio Vargas deixou como legado um projeto nacional que afirma a soberania nacional e a justiça social. Tentou também, com o sacrifício da própria vida, impor um clima de respeito democrático com a Oposição.

Amado pelos trabalhadores, também respeitado pelas classes empresariais. Foi o presidente que ficou mais tempo no poder. Estruturou o governo federal, criou ministérios como o da Educação, o da Saúde e o do Trabalho, criou partidos políticos, como o PTB e o PSD, organizou a Comunicação e criou a Voz do Brasil, para divulgação diária dos três poderes. Deixou, enfim, um legado que é lembrado até os dias de hoje, mesmo 65 anos após a sua morte.

Comunicação FIV

Equipe de Comunicação da Fundação Ivete Vargas

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